Vidro laminado com SentryGlas ®

Por muitos anos, os intercalantes produzidos à partir do polivinil butiral (PVB) e do etileno-vinil-acetato (EVA) têm sido o material de segurança padrão usado pela indústria na produção de vidro laminado. Quem trabalha com vidro entende bem as possibilidades e limitações desse tipo vidro quando empregados em fachadas, coberturas, guarda-corpos e esquadrias. O intercalante SentryGlas, por outro lado, possibilita uma abordagem completamente nova e de maior resistência, pois é 100 vezes mais rígido e cinco vezes mais resistente que o PVB.

For many years, interlayers produced from polyvinyl butyral (PVB) and ethylene vinyl acetate (EVA) have been the standard safety material used by the industry in the production of laminated glass. Everyone who works with glass understands the possibilities and limitations of this glass when used in facades, roofs, railings and window frames. The SentryGlas interlayer on the other hand, provides an entirely new approach and greater resistance, because it is 100 times harder and five times stronger than PVB.

Vidro laminado com SentryGlas

Quando usar o SentryGlas?

O SentryGlas deve ser usado quando há uma demanda por uma material mais rígido e mais forte, um exemplo de uso é em estádios esportivos onde em caso de tumulto o vidro (mesmo em caso de quebra) deve resistir à pressão que a multidão fará nele, sem sair do lugar para garantir a segurança de todos os espectadores.

A solução também pode ser utilizada em janelas, portas e clarabóias resistes à furacão e bombas, e passarelas e pontes de vidro como essa daqui que falei em um outro post.

vidro laminado com sentryglas

Sentryglas safety is used when there is a demand for an extra strong material, an example of use is in stadiums where in case of turmoil the glass must resist the pressure that the crowd will make on it without moving (even in case of breakage), to ensure the safety of all viewers.

This solution can be used in many laminated glass applications including hurricane and bomb blast resistant windows, doors and skylights and structural glass flooring, stairs, walkways and pedestrian bridges.

vidro laminado com sentryglass

Qual a diferença entre a laminação comum e com Sentryglas?

O vídeo abaixo mostra bem a diferença entre os dois tipos de laminação, como os dois tipos se comportam durante a quebra.

The video below shows the difference between the two types of lamination, and how the two types behave during breakage.

Uma observação importante é que o vidro laminado só perde a estabilidade se os dois vidros que envolvem o intercalaste quebrarem, o que é bem difícil de acontecer em condições normais, por isso o Sentryglas tem aplicação específica para situações onde a ruptura dos dois vidros pode acontecer.

An important observation to make is that regular laminated glass only loses stability if the two glasses that surround the interlayer break, it is very difficult to occur under normal conditions, so the Sentryglas has specific application for situations where the breakage of the two glasses may happen.

Tipos de vidro laminado

Algo que nos deixa em dúvida sobre vidro na hora de escolher um laminado são os tipos de vidro laminado. Qual é melhor? Quais as vantagens e desvantagens? Quais atendem às normas?

Vou explicar sobre os tipos de laminados, dizendo as diferenças entre eles e as vantagens e desvantagens de cada um. (Se você está lendo esse post e não sabe o que é vidro laminado, acessa esse post aqui primeiro)

Resumindo: o vidro laminado é composto por duas ou mais lâminas de vidro, onde o intercalante (que une as lâminas de vidro) é formado por o polivinil butiral (PVB), resina, ou EVA e aglutina os estilhaços quando o vidro é quebrado, impedindo a fragmentação.

Ele também melhora o desempenho acústico do vão e barra mais de 90% dos raios UV.

Tipos de vidro laminado…

Vidro laminado com EVA:

É um processo relativamente novo (no Brasil desde 2003), mas que vem conquistando espaço no mercado por sua facilidade de aplicação. Ele permite para os processadores do vidro menos perda de material no processo e menor consumo de energia, o que acaba refletindo no preço final da peça, já que você pode fazer uma otimização de peças.

O maquinário para esse tipo de laminação também tem menor custo do que o tradicional maquinário de PVB (de 3 a 10 vezes mais barato), além de ocupar um menor espaço físico para o processo (20m² contra 200m²). Por isso muitos processadores estão preferindo esse tipo de laminação.

O EVA (etileno-vinil-acetato) é visualmente como o PVB (incolor e translúcido), e os dois possuem a mesma espessura (0,38mm) e  podendo ser colorido.

tipos de vidro laminado

Vantagem: Não produz sobras de vidro e gasta muito menos energia. Ótima aceitação também no mercado de decoração por permitir laminar pequenas peças com custo competitivo e inserir tecidos, papéis, fotos, ou folhas por exemplo. (Inclusive o vidro curvo)

Desvantagem: A quantidade de produção é inferior à produzida em PVB (que faz 2000m² por dia enquanto o EVA produz até 500m² por dia).

Como é feita a laminação:

  1. Se o Vidro precisar ser temperado, isso deve ser feito antes da laminação (no vídeo abaixo eles mostram o vidro entrando e saindo da têmpera);
  2. O primeiro vidro é colocado em uma mesa, onde o filme de EVA é colocado por cima dele e em seguida o segundo vidro é colocado por cima do EVA;
  3. O filme de EVA é cortado rente às bordas dos vidros;
  4. A composição é colocada em uma das gavetas do forno de EVA e em seguida ela é fechada com uma manta de silicone próprio que gera vácuo nas peças;
  5. Em seguida a gaveta é colocada dentro do forno;
  6. O processo dura três horas e chega à temperatura máxima de 120 graus centígrados;
  7. O vidro é retirado do forno e está pronto.

Curiosidade: A laminação EVA também é utilizada em vidros eletronicamente opacados.

Certificação: Yveraldo Gusmão, diretor da Gusmão Representações, pioneiro na introdução desse equipamento no País, solicitou uma certificação de impacto, luz e umidade no Instituto Falcão Bauer da Qualidade (IFBQ). Agora o laminado com EVA está certificado na Europa, nos Estados Unidos e no Brasil quanto à sua segurança e qualidade.

Fabricantes: Um dos fornecedores de EVA do Brasil é a Bridgestone, marca japonesa que agregou bastante confiança ao produto, e há diversos fornecedores chineses também de alta qualidade.

Vidro laminado com Resina:

A laminação com resina é o processo mais antigo no mercado e de aplicação simples no vidro. A simplicidade de execução dispensa grandes e custosos maquinários, e o principio é o mesmo onde um produto é aplicado entre duas chapas de vidro e tem o papel de reter os cacos em caso de quebra.

A resina assim como o EVA permite a otimização dos vidros, evitando o desperdício de material. O processo necessita somente de 70 m² e não exige gastos adicionais de energia elétrica, o que faz da resina o processo mais econômico.

Há dois tipos de resina no mercado atualmente, as de base acrílica que têm sua cura em uma mesa com lâmpadas de UV e as de base de poliéster que são curadas em uma mesa de descanso com temperatura média de 25 a 30 graus. A grande diferença está no tempo de cura da resina, e na elasticidade do intercalante depois de pronto. A resina com base de poliéster resulta em uma camada mais flexível, que tem um desempenho acústico melhor e é apropriado para lugares com alta vibração (como barcos, trens…).

tipos de vidro laminadotipos de vidro laminado

A resina também pode ser pigmentada, o que permite diversas cores e aspectos finais assim como o PVB e o EVA.

Vantagens: Baixíssimo gasto de energia e não produz sobras de vidro. Também excelente para uso em peças pequenas e pequeno volume de laminação.

Permite a combinação de vidros com espessuras com diferença maior que 2mm.

Por ter uma espessura maior que o PVB e o EVA, a resina é mais resistente a impactos.

Desvantagens: A capacidade de produção é bem baixa, já que cada peça deve ser resinada manualmente uma a uma.

A espessura do intercalante é maior em comparação ao PVB e EVA.

Como é feita a laminação:

  1. Se o Vidro precisar ser temperado, isso deve ser feito antes da laminação;
  2. Os vidros são limpos com produto próprio e logo em seguida secos com pano limpo (que não solta fiapo, fio…);
  3. Em seguida a fita que dá o distanciamento correto entre as peças é colada nas pontas dos vidros;
  4. Os vidro são sobrepostos e posicionados com o correto alinhamento;
  5. A proteção da fita adesiva é retirada para que o vidro de cima cole nela também, exceto de uma lateral do vidro por onde a resina será colocada;
  6. Uma espécie de pá-funil é inserida entre os dois vidro na lateral onde a fita não foi colada no segundo vidro e através dela a resina vai sendo derramada entre os vidros;
  7. Quando a resina atinge uma certa altura o vidro é deitado para que ela se espalhe por todo o espaço faltante e a proteção da fita adesiva é retirada para que o vidro feche a passagem antes aberta;
  8. Por ultimo as bolhas de ar são retiradas por seringas e os espaços são vedados com cola neutra ou silicone neutro.
  9. A partir daí são 8 horas à 24 horas para a cura da resina de base de poliéster, e 15 a 20 minutos para a resina com base acrílica (na mesa com lâmpadas UV).

Obs: No vídeo a resina é branca pois foi adicionado um pigmento e o aspecto final desejado é o branco leitoso.

Curiosidade: Por ter uma espessura maior, ela é mais resistente à impactos e favorece a produção de vidros blindados.

Certificação: Não encontrei nada sobre a certificação da resina, mas sei que há um grande movimento do setor vidreiro junto com a ABNT para normatizar a laminação com resina. O texto da NBR 7199 foi revisado e encaminhado à consulta nacional.

Fabricantes: Há alguns fabricantes de resina aqui no Brasil e os mais utilizados são a Foster’s (resina com base de poliéster conhecida como Fosterglass), a Effectus (resina com base de poliéster conhecida como Astrocure), a Cytec (resina com base acrílica conhecida como Uvekol) e a Kommerling (resina com base acrílica conhecida como Kodiguard).

Vidro laminado com PVB:

A laminação com PVB (Polivinil Butiral) é a mais utilizada no mercado, ela é responsável por cerca de 85% de todo o vidro laminado do Brasil, ele é composto por resina, plastificantes e outros materiais. Há um único fabricante de PVB instalado no Brasil, porém a variedade de produtos é muito grande. Desde cores até PVB de alto desempenho acústico.

tipos de vidro laminado

Ela é feita em chapas, geralmente de 3,21×2,20m ou 3,21×2,40m mas também pode ser feita em chapa jumbo de 3,21×6,00m, e o corte das peças é feito após a laminação, o que agiliza muito o processo porém aumenta a perda de material. É possível laminar peças menores que o tamanho da chapa tradicional e laminar peças já cortadas na dimensão final (caso de vidros temperados antes da laminação), mas não é economicamente interessante ligar a linha somente para pequenas peças.

Com a laminação em chapas é preciso ter um cuidado maior no armazenamento das mesmas para que não haja contato com materiais que possam danificar as superfícies e bordas, para que não haja arranhões nem quebra, já que ficam mais tempo paradas na indústria.

tipos de vidro laminado

Vantagem: Grandes volumes de vidros podem ser laminados de uma única vez, é amplamente requisitada no mercado pela confiança.

Também tem grande variedade de cores e acabamentos.

Barra 99,9% dos raios UV que queimam móveis e desbotam cortinas e tapetes.

Desvantagem: Não vale a pena ligar a linha de PVB para laminar poucas peças.

Não permite a combinação de vidros com espessuras com diferença maior que 2mm.

Custo dos maquinários e espaço que eles necessitam.

Como é feita a laminação:

  1. Se o Vidro precisar ser temperado, isso deve ser feito antes da laminação;
  2. É feita a lavagem e secagem das chapas de vidro com cuidado para que não haja nenhuma sujeira;
  3. O PVB é aplicado entre os vidros, e a composição é levada para a calandra onde há uma pré-colagem (onde acontece a retirada do ar e pré-selagem das bordas através de calor e compressão);
  4. Em seguida a composição é colocada na autoclave, que funciona como uma panela de pressão gigante, com temperatura e pressão elevada, onde finaliza a colagem e a retirada do ar residual.
  5. O vidro então está pronto para ser cortado (se não foi temperado);

Curiosidade: Existe o PVB acústico, que melhora em torno de 50% o som percebido (claro que isso depende da composição do vidro também, se além de laminado ele é insulado, o tipo de esquadria).

Existe também um PVB cem vezes mais rígido e 5 vezes mais resistente chamado SentryGlass, ele foi amplamente utilizado nos vidros dos estádios feitos para a copa de 2014 já que atende às normas específicas de rigidez e resistência.

Certificação: O PVB é o intercalante mais certificado entre os três, talvez pela maior demanda existem diversos testes realizados, há inclusive vídeos na internet que mostram testes de esforço e impacto dos vidros laminados com esse intercalante.

Fabricantes: A única fabricante de PVB instalada no Brasil é a Solutia (Eastman), que conta com a linha Saflex e a linha Vanceva com muiiiitas cores!

Conclusão

Dentre os tipos de vidro laminado, é difícil dizer qual o melhor. Cada um cabe à um tipo de aplicação e ao preço que você está disposto a investir.

O importante é pesquisar sobre o local que você vai comprar e saber se os produtos dessa vidraçaria ou processadora são de qualidade, os intercalantes são bons e seguros contanto que feitos da maneira adequada.

Espero que essas informações tenham sido úteis!!

Obs.: O vidro laminado não é sinônimo de vidro colorido ok? Eu coloquei imagens de vidros coloridos para ilustrar as possibilidades de cores ALÉM do incolor. 😉