Fabricação do vidro plano

Boa tarde!!

Muita gente sabe que o vidro é feito de areia, mas que tal entender mais sobre esse processo?

O processo que é utilizado atualmente no mundo inteiro, conhecido como processo de vidro float –vem de flutuação e mais abaixo explico o porque– foi desenvolvido pela Pilkington (uma das fundadores da Cebrace) em 1952, e é a maneira de fabricar o vidro mais plano possível. Eu costumo comparar a fabricação do vidro com fazer um bolo.

Oi? Bolo? Vidro? Pois é, o processo de fabricação do vidro tem similaridades com fazer um bolo. Vou explicar: Os elementos que compõem o vidro são:

– Sílica (areia) – 72%

– Sódio (Barrilha) – 14%

– Cálcio (calcário) – 9%

– Magnésio – 4%

– Alumina – 0,7%

– Potássio – 0,3%

(Como a massa de um bolo onde ingredientes são colocados com proporções certas)

E para fazer o vidro, todos esses componentes são misturados (em uma batedeira gigante chamada de misturador) com cacos de vidro. Sim, cacos de vidro! Porque? Porque os cacos de vidro diminuem a temperatura necessária para fundir a massa do vidro dentro do forno, economizando gás e energia elétrica. Além disso, durante o processo de corte há quebra de  vidros que apresentem defeitos como bolhas e alteração na cor. (Quase como a massa de bolo rss)

Depois da mistura pronta, ela é despejada dentro de um forno gigante – chamado de forno de fusão – que aquece a massa à 1600°C e torna a massa incandescente como a lava de vulcão. (Como o bolo que fazemos a massa e a colocamos no forno)

fabricação do vidro(Entrada da mistura no forno de fusão – detalhe do vidro incandescente)

Saindo do forno de fusão com aproximadamente 1000°C, a massa do vidro cai no banho float que nada mais é do que uma piscina de estanho – com 15cm de profundidade. O estanho é mais denso do que o vidro, o que faz com que a massa flutue (float em inglês) assim como o óleo flutua na água, e por isso o vidro fica completamente plano.

Dentro da câmara de banho float há roletes que fazem com que o vidro ande mais rápido ou mais devagar e essa velocidade define a espessura que esse vidro terá.

fabricação do vidro

(Rolete que puxa a massa do vidro no banho float)

Depois dessa etapa o vidro vai para a câmara de recozimento, onde o vidro é resfriado lentamente até 250°C com a ajuda de sopradores para acelerar o processo. E a partir daí ele corre em esteiras ao ar livre para que esfrie lentamente evitando a quebra indesejada no momento do corte em chapas.

fabricação do vidro

(Esquema da linha completa, porém ela é beeeem mais comprida do que o esquema deixa imaginar)

Logo após o vidro resfriado, ele passa por uma inspeção de qualidade onde scaner detecta falhas na massa (como impurezas e bolhas de ar) e também analisa a cor do vidro em relação ao padrão da empresa. O vidro que não tem defeito é cortado em chapas de dimensão padrão (2,20×3,21m, 2,40×3,21m ou a chapa jumbo de 6,00×3,21m). O vidro que apresenta defeitos ou esteja fora do padrão é quebrado e retorna ao início do processo.

O vidro após o corte é empilhado verticalmente em cavaletes (chamados pelo setor vidreiro de colares), que facilitam o transporte para o estoque e para a expedição que envia os vidros para beneficiadores e distribuidores de todo o país.

fabricação do vidro

(Fotos da indústria da Vidratto em Brasília {beneficiadora e distribuidora de vidros} – vidros nos cavaletes para facilitar a movimentação)

O processo de fabricação do vidro não pode parar, ele acontece 24h por dia e sete dias por semana, por anos e anos. Se o processo for interrompido a massa solidifica dentro do forno e daí só demolindo e construindo outro (que custa milhões de reais). Os fornos são reformados a cada 20 anos, que é a vida útil que eles tem – melhor do que os que temos em casa não?! rsss.

Para vidros coloridos, outros ingredientes são inseridos na massa que alteram a coloração mas não a transparência deles.

Espero ter esclarecido um pouco mais sobre os vidros!

Deixe uma resposta